Internet com romantismo, e viva os anos 90?!?

Aqui é nosso cafézinho, então espere ler de tudo aqui, tudo, tudo mesmo, saibam que somos pessoas… mas hoje não fugiremos do nosso core-business, falemos de internet! de modo romântico!

INTERNET NO PASSADO90% das músicas que sei de cor são de 5 anos pra trás. Estaria eu perdendo minha capacidade de memorizar as coisas? Pode ser que sim, mas nem tanto. Esse tempo coincide com a chegada da internet banda larga em minha casa. Andei pensando: éramos mais felizes quando não havia banda larga.
No início de tudo, 3 ou 4 pessoas na sala de aula tinham computador em casa. Lembro muito bem quando chegou um “486″ em casa, com Windows 95 (meu Deus, tinha papel de parede e tudo). Que beleza. Não precisava mais ir até o escritório do meu pai pra mendigar um tempinho pra jogar Jill, Wacky e Doom. Na época, era um dos melhores computadores da cidade (disse o meu vendedor).
Quando nem internet eu tinha – isso em 1998, acho – eu ia pra casa de alguns amigos (sempre fui interesseiro, só tinha amigos que tinham Super Nintendo, posteriormente, PlayStation, ou que tinham computador e, posteriormente, Internet. Me processem) o ápice da descontração era entrar no chat UOL, entrar na sala de Cidades e Regiões e mandar ver. Eram 2 horas pra abrir a página, e mais uns 5 minutos até digitar um “Oi e quer tc?”. Mas alguma coisa acontecia no meu coração. Aquela soma de gastar telefone (pulso)+casa dos outros+tempo escasso era incrível. Quem não passou por isso, perdeu uma bela parte da Internet. Eu até fazia trabalho só com quem tinha Internet, arrumava um pretexto pra conectar e pesquisar algo no Cadê. E parava no Chat Uol. Era batata.
Mas nem era isso que eu queria dizer. Queria me referir a quando realmente chegou a tal da Internet até minha casa. Assínávamos internet ILIMITADA (até então havia planos de limites, por exemplo: por 50 horas mensais, o provedor custava R$25,00/mês. Ilimitado, subia pra R$35,00). Um luxo só. Assinamos um dos dois provedores que haviam na cidade, porque ouvi falar que aquele caía menos.
Conectávamos, geralmente, no clássico horário: dias de semana após 0h e no fim de semana após sábado 14h. Claro que dávamos umas boas fugidas durante outros horários, o que aumentava bastante a conta telefônica, com a qual nos defendíamos sempre com o argumento de que mesmo gastando só um pulso, muitas vezes a conexão caía e tínhamos que reconectar. Mentira. Não que não caísse. Alías, caía muito. Mas nem seria o suficiente pra subir uma conta de R$60,00 para R$100,00 em um mês. Fizemos e-mail bol e tudo.
Sexta-feira, por não haver aula cedo no sábado, quando dava 22h, o coração já acelerava. Mal via a hora de entrar no ICQ e me enturmar com a galerinha antenada da minha sala. Fora que eu podia dar um search por “sexo feminino em Jundiaí online no ICQ” e ir garimpando minhas pérolas. Dava 1 da manhã mas não dava meia noite. Até que chegava a hora. Aquele barulho de discagem (que posteriormente aprendi a abaixar o volume para ninguém me ouvir conectando em horas inapropriadas) soava como um anjo tocando harpa enquanto você entrava no céu.
Conectado. Um ícone no canto da tela indicava isso e me remete a grandes emoções. Praticamente eu esquecia o que tanto queria ver e ficava lembrando durante o dia inteiro. Nem sabia o que fazer com tantos caminhos. Entrava no Bol: mensagem nova, coração acelerado. Humortadela: meu deus, como eu ria do Humortadela [/vergonha]. Sites hacker: Normalmente com seções “humor”, “dicas hacker”, “como invadir um babaca”, “lammer”, “programas (Winzip, Icq, programas pra abrir o drive de cd alheio) úteis” e até uma página que mostrava o seu HD e dizia: “cuidado, eu sei tudo que passa no seu computador MUA HA HA HA!”. Sim, eu morria de medo. Entrem na justiça contra mim. Vocês também teriam medo.
O ICQ. Como o ICQ era legal. A cada letra que você digitava, soava um barulho de máquina de escrever, o que te deixava cada vez mais viciado em digitar, só pra ficar bem rápido e ter o prazer de sentir cada batida da máquina. Quando qualquer mensagem chegava, era um som tipo “Oh Ou…”. Nessa época, a turma dos favorecidos digitais já ia pra umas 10 pessoas, entre 45. Ficávamos mais amigos, e adorávamos criar piadas internas pra contar na frente dos trouxas que não tinham computador. Uma ostentação só pra quem podia, claro.
Chegaram os tais gravadores de CD. “Nossa, agora dá pra juntar em um cd só as músicas que você quer!”. Não acreditei. E tive que engolir isso. Meu colega comprou um, por mais ou menos R$400,00. Gravava em 4X. Lindo. Ele deve ter lucrado um bom dinheiro, pois todo mundo pagava R$15,00, R$20,00 pra ter um cd chamado “Seleção Fulano”. Faziam-se as listas com as músicas, o sujeito entrava no Napster e, depois de 15 dias, se ele fosse esperto, entregava o cd pra você. Aquilo parecia coisa de outro mundo, e talvez fosse. Quem tinha 1000 músicas no computador era considerado um Deus.
O ICQ foi dando espaço ao IRC. Um progama sem quaisquer inovações visuais (pelo contrário), difícil de se entender, cheio de comandos difíceis de se aprenderem. Mas era um pitel. Pelo Scoop Script, ou pelo AvAlAnChE você acessava canais. Você tinha cargo de operador (tipo um dono de comunidade), de voice (moderador) e usuários comuns (se fode aí, trouxa). Você registrava um nick pra ninguém poder usar, e se deleitava pra conversar no meio de chats simultâneos, ou privativos. Tinham jogos, canais só para downloads. Praticamente um prévia do que o Orkut, 7 anos após auge do mIRC.
De lá pra cá, surgiram MSN, Orkut e MySpace, Facebook e Twitter dentre outras ferramentas. A Internet agora, se antes dividia o espaço com outras coisas que você fazia no computador, agora não mais possibilita isso. Quem consegue ligar o computador para digitar um texto, jogar alguma coisa, ler algo em algum site, sem abrir o MSN, mesmo que seja “só pra ver quem tá online”? Quem, durante esse texto, não foi ver se seu orkut, Facebook ou Twitter tem alguma novidade?
Posso afirmar que a Internet perdeu o seu glamour inicial. E acontece com todas as coisas: quanto menos limitada, quanto mais democrática, menos glamour tem. Na comunidade Discografias há a incrível possibilidade de se acharem álbuns completos de quase todos os artistas dem quem já tive notícia no mundo. Em 10 minutos se baixa até mais de um álbum. Não dá tempo de escutá-lo pois, na metade, já chegou outro. Pra quê vou assistir um episódio do meu seriado favorito por semana, se posso baixar e assistir tudo de uma vez no computador?
Jogamos, lemos, passeamos, muito menos que antes. Pode até parecer um saudosismo idiota, mas ouvíamos muito mais músicas com muito mais atenção quando demorávamos uma semana pra baixar a coletânea preferida, do que hoje. Era muito mais divertido receber carta de um amigo distante do que vê-lo diariamente no MSN e raramente falar com ele, por uma suposta falta de assunto.
Claro que toda melhora tecnológica e de acessibilidade é bem-vinda. Mas, como qualquer outra coisa, isso traz também a tentação de cairmos numa suposta diversão eterna, que posteriormente vai virar mesmice. É a tal da democratização do acesso sem que antes tenha havido uma conscientização sobre o bom uso da coisa. Você pode pensar: “mas eu fiz muitos amigos pelo Orkut e MSN”. Sim, mas talvez isso tenha te deixado mais exigente (talvez enjoado) ou utópico em relação a amizades do mundo “real”, que podia ter feito ao praticar um esporte ou saindo com outras pessoas.
Estou pensando seriamente em colocar de volta uma conexão discada aqui (não). Mesmo que isso soe como um discurso de adulto que não entende nada disso (que assiste Jornal Hoje e fica preocupado com o filho porque “há denúncias de pedofilia em sites de relacionamentos como Orkut” – haha – mas quem sabe estamos precisando de um meio-termo nisso aí. Quem sabe seja a hora de nós começarmos a impor nossos próprios limites.
E fico por aqui porque tenho que olhar meu Orkut, Facebook, Twitter etc.
Autor desconhecido, retirado e adaptado de um post do Fórum Adrenaline

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